O JOGO ESPORTIVO ENTRE OS POVOS ANTERIORES À ROMANIZAÇÃO. De acordo com os dados coletados, os povos do norte da Península Ibérica, isto é, os galaicos, asturianos e cantábricos praticavam lutas, foram cavaleiros experientes e treinavam pugilismo e corrida. A dança também esteve presente entre estes povos, que a realizavam junto às mulheres unidos pelas mãos e contava com a participação de todos os habitantes do povoado. As bailarinas de Cádiz eram famosas na antiguidade; elas executavam uma espécie de dança do ventre de intenção lasciva mas de ritual pré-histórico (rito da fecundidade), acompanhando-se por castanholas e vestidos com saias de babados. Devido à sua fama, conhecemos várias descrições dos lançadores de disparos, que nos contam a destreza impressionante com que manuseavam a atiradeira (estilingue). Dos lusitanos, sabe-se que eram destros guerreiros e que celebravam combates mortais onde chegavam a lutar até duzentas duplas de guerreiros. Também se têm notícias sobre a fama de seus cavalos e em geral que foram bons cavaleiros e que baseavam toda sua luta montados nos cavalos, o que significava um orgulho para eles. Encontra-se a presença do touro como objeto de jogo na Península Ibérica, evidenciada através de diversas fontes arqueológicas tais como a pedra polida de Clunia, as vasilhas e vasos de Líria, as esculturas de touros de Osuna ou a bicha de Balazote, que refletem o sentido ritual e lúdico que o touro ibérico teve na Península.
O JOGO ESPORTIVO NA ESPANHA ROMANA. Dado que a Península Ibérica alcançou um alto grau de romanização, o jogo esportivo foi implementado de forma generalizada, impondo-se com o mesmo pragmatismo e com os mesmos objetivos que no resto do Império. Desta forma, promoveu-se também o esporte como espetáculo dirigido pelas instituições do Estado, onde o que primava era a competição e a especialização esportiva a serviço do poder. Neste sentido os esportes mais populares foram as corridas de quadrigas e as competições gladiatórias, como atestam as ruínas conhecidas de arenas e anfiteatros bem como alguns textos legais (especialmente as leis gladiatórias de Osuna e de Itálica). Os epitáfios encontrados nas lápides funerárias de aurigas e de gladiadores também são bastante interessantes pela informação que nos dão. Um dos mais conhecidos é o do auriga Diocles de origem hispânica, especificamente da Lusitânia, considerado um dos agitadores mais importantes da história deste esporte. Ainda que não se têm dados sobre escolas de gladiadores no nosso país, supõe-se que ali onde existiu o anfiteatro é bem provável que também tenha existido algum centro para formar os gladiadores (tem-se o conhecimento de uma inscrição de um treinador de gladiadores chamado Expeditus).
Outro costume romano que se espalhou com força entre as classes abastadas da Península foram os banhos públicos que se estenderam rapidamente por todas as cidades importantes. Também se tem conhecimento da atividade dos pecuaristas espanhóis que exportavam para Roma, além de cavalos e éguas famosos por sua resistência e velocidade, touros destinados aos combates com feras. Quanto à caça, há inúmeros epitáfios que nos atestam sobre esta prática esportiva entre os ricos fazendeiros, manumissos e senadores (caçavam de preferência javalis, cervos, ursos e lebres). Têm-se também dados sobre a prática do pugilismo e do pancrácio, bem como a existência dos ginásios como instalações complementares, normalmente às termas. Não há evidências de jogos de bola, embora seja provável que se tenha conhecimento das modalidades mais populares da época (que posteriormente Isidoro de Sevilha cita nas Etimologias). Ainda que tampouco se tenha informação sobre as danças, é provável que, assim como no resto do Império, tanto no culto religioso quanto nas celebrações e na pantomima se deram em abundância.